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A bebida pode ser dos deuses, mas sua produção não tem nada de milagrosa. Fabricar um bom vinho é uma ciência que o Chile conseguiu dominar de forma excepcional. É por isso que a enologia no Chile é hoje considerada uma mistura de disciplina e arte. Descubra por que o Chile é uma das mecas dos enófilos.

Como você sabe, produzir a bebida de Baco exige muito talento, dedicação e experiência. Mas nada disso seria suficiente sem a força da natureza. E nesse aspecto o Chile é privilegiado. São suas características geográficas que tornaram o país a potência que é hojeno ramo da enologia.

Praga que dizimou vinícolas em todo o mundo beneficiou o Chile

Apesar de estar localizado na costa Oeste da América do Sul, o Chile funciona como uma espécie de ilha. Ao Norte, o território chileno é protegido pelo deserto do Atacama. Ao Sul, pela gélida Patagônia, que quase toca a Antártida.

A Leste, o “guardião” é a Cordilheiros dos Andes, mesmo papel feito pelo Oceano Pacífico a Oeste.

De que forma esse “isolamento” natural influencia a produção de vinho do país? A resposta direta é: protegendo o território. É graças a essa proteção natural que as vinícolas chilenas sobreviveram à terrível praga da Filoxera, inseto que quase dizimou a produção de vinhos de todo o mundo no início do século XIX.

É por isso também que, hoje, o Chile é considerado como o único grande produtor do mundo 100% livre da temida Filoxera. Como resultado, o país é sede de algumas das vinícolas mais antigas do mundo, com muitas videiras sendo plantadas ou enxertadas nos próprios “cavalos”.

Assim, à medida que as videira envelhecem, suas uvas se tornam mais concentradas e saborosas, tornando-se extremamente valiosas.

 


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Enologia no Chile: impactos da geografia

O Chile tem várias regiões vinícolas bastante diferentes entre si, mas todas se beneficiam da abundância de luz do sol e clima seco, que ajudam no combate a doenças.

Isso não significa, entretanto, que produzir vinhos no Chile é um trabalho dos mais fáceis. A falta de água pode ser desafiadora, mas as vinícolas do país conseguem driblar essa dificuldade com engenhosidade e tecnologia.

Cerca de 75% dos vinhos produzidos no Chile são considerados sustentáveis, ou seja, não desperdiçam água nem insumos.

 

 

Variedades de uvas

Enquanto a maioria dos países foca sua produção em uma ou duas variedades de uva, o Chile faz exatamente o contrário. As regiões quentes, no interior, fornecem uvas poderosas, enquanto que o litoral, mais frio, produz uvas mais delicadas, assim como as regiões de altitudes elevadas.

No Norte, os vales de Limarí, Casablanca, San Antonio e Leyda são especializados em Sauvignon Blanc (frutados, cítricos, ácidos e com tons de grama fresca) e Chardonnay (com estilos diversos, mas acidez sempre fresca).

Já a Cabernet Sauvignon (rico e frutado, com tons de terra) é produzido nos vales de Maipo, Colchagua, Cachapoal e Aconcagua.

Por sua vez, a Carménère é a uva “filha” do Chile, e que melhor representa o país. Se o Chile é a mãe da Carménère, a França é sua “avó”. Isso porque a Carménère foi “exportada” sem querer de Bordeaux, na França, para o país andino, durante o auge da praga de filoxera, no século XIX.

Durante um século ela foi produzida junto com a Merlot, sendo confundida com esta variação. A confusão só foi desfeita na década de 1990. É por isso que vinhos Carménère com mais de oito anos são raríssimos. Seus sabores são marcantes e bem estruturados.

Outra uva que tem se destacado no Chile é a Pinot Noir, transformada pelas vinícolas Casablanca e San Antonio em vinhos frescos e suculentos. Há ainda a Syrah, encontrada nas regiões frias de Elqui e Colchagua. Vale ressaltar ainda que os principais vinhos chilenos são misturas de uvas vermelhos como Bordeaux e Rhône.

Por tudo isso o Chile tem se destacado na enologia, atraindo a atenção de grandes produtores de todo o mundo. Dentre os grandes players do mercado que já fincaram pé no país estão a Château Lafite Rothschild e a Grand Marnier.

 

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A “grande vitória” de 2004

Uma curiosidade muito interessante na gostosa briga entre as viniculturas mundiais aconteceu em Berlim, em 2004. Na ocasião, durante a prova de degustação, o icônico Château Lafite-Rothschild 2000 (uma das safras mais valorizadas do mundo) terminou em um “decepcionante” 3º lugar.

As medalhas de ouro e de prata ficaram com vinhos chilenos. O primeiro lugar foi o Viñedo Chadwick 2000, e o segundo foi para um Seña 2001. A prova mudou para sempre o cenário da enologia mundial e colocou o Chile em definitivo na lista de destino dos mais respeitados enófilos do planeta.

Agora você já sabe por que a enologia no Chile é tão especial. Não é por acaso que o país é hoje um dos principais expoentes do enoturismo no mundo. Quer saber mais dicas sobre turismo enológico no Chile? Siga-nos no Facebook e Instagram.

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